Saturday, December 02, 2006

Saltos no tempo (passado).

Aceitando então que poderemos olhar para o passado - cada vez mais para trás... - em busca de obras culturais que partilhem técnicas, efeitos e mudanças sociais operadas análogas ou contíguas àquelas verificadas no que hoje chamamos de banda desenhada, aceitamos necessariamente um determinado número de escolhas.
Essas escolhas são necessariamente heterogéneas, feitas de grandes saltos no tempo - por vezes (quase sempre?) aleatórios. Por essa razão coloco aqui uma vinheta retirada do álbum A Armadilha Diabólica (1960), de Edgar P. Jacobs, da série As Aventuras de Blake & Mortimer. Nesse álbum, o professor Mortimer recebe um presente envenenado do professor Miloch: uma máquina do tempo a que dá o nome de "Cronoscafo". A máquina tem o "selector temporal sabiamente avariado" e obriga Mortimer a fazer saltos incontrolados e aleatórios no tempo...
É em homenagem a esses "saltos aleatórios" que deixo aqui dois dos sites que penso serem os mais bem organizados e inteligentes na apresentação das suas ideias, contribuindo para uma panorâmica do que pode ser entendido como a "Pré-História" da banda desenhada.
O primeiro é em inglês, e pertence a Andy Bleck, e vai de 300 a ca. 1930 (imediatamente antes dos comics books). Os textos são curtos e precisariam de maior integração histórica e uma exploração reflexiva mais balizada, mas em termos de apresentação e imagens é soberbo.
O segundo é em francês, e estando integrado no site da Biblioteca Nacional Francesa, é fruto das investigações de Danièle Alexandre-Bidon. Centradas num período mais curto da História (a "Idade Média"), e com um design e interactividade de excelência, são os seus comentários inteligentes e agudos que tornam o seu trabalho inestimável numa verdadeira argumentação de carácter histórico.
No final de A Armadilha Diabólica, o professor Mortimer descobre que para retornar ao presente deve esperar para que a luz se torne branca (e os números a zero). Como no prisma, aceitemos por isso as cores variegadas de Bleck e Alexandre-Bidon... Mas procuremos também aproximarmo-nos do nosso "ponto branco"...

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